Pesquisar este blog

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

UMA CIDADE ENFEZADA...

É isso mesmo... Capanema é uma cidade enfezada. E não me refiro aos infindos colóquios sobre políticas públicas, ou melhor: POLITICAGEM (De novo não!!!)... Até porque, as discussões acerca dessas questões não se limitam aos bares, comércios, feiras, restaurantes, salões de beleza, oficinas mecânicas, esquinas da vida etc. etc. etc., ecoam além do espaço geográfico que constitui o “Mato Azarado”... Digo isso não por ser, exclusivamente, do contra, muito menos por questões partidárias, pessoais. Todavia, já presenciei/assisti/ouvi nos municípios vizinhos, muitos comentários enfezados sobre a politicagem no nosso município. Basta pegar um táxi de qualquer lugar do nordeste paraense com destino à essas terras panemas para constatar... A primeira pauta da conversa: a POLITICAGEM de Capanema... Eita terra sem sorte!!!! 

GOOGLE IMAGENS
Contudo, quero discorrer sobre o que deixa as ruas de Capanema e os transeuntes/pedestres, realmente, enfezados. Quem caminha diariamente pelas principais vias da nossa cidade sabe muito bem do que se trata: das FEZES que ornam e deixam um odor nada agradável pelas ruas... Deve-se olhar bem por onde se anda, ou é quase impossível não ficar ENFEZADO (metafórica e literalmente falando). FEZES à vista!!!! Elas estão por toda parte e no plural: nas calçadas, no meio da rua... Quem opta por andar pelas calçadas tem de desviar das FEZES do “melhor amigo do homem”. Ao atravessar as ruas deve tomar cuidado com as dos cavalos... Sorte se elas estiverem no estado de húmus: sequinhas... Nesse caso dá até para sair ileso, menos ENFEZADO.

GOOGLE IMAGENS
Apesar de ter caído em desuso, FEZ é o singular de FEZES (Desculpe-me o leitor por tratar de um assunto tão escatológico. Tape as narinas... imagine que está andando pelas ruas da cidade). De qualquer forma, não daria para usar o vocábulo no singular ao referir-se às ruas de nossa cidade. Já ENFEZAR é ação de recobrir, encher, alguém/algo com FEZES. É o que acontece com muitos dos que necessitam andar pelas ruas da ENFEZADA Capanema... Alguns etimólogos explicam que a origem da palavra ENFEZADO se dá à época da escravidão declarada. Os escravos eram obrigados, claro, a carregar baldes cheios de fezes dos seus senhores para despejar nos rios... No traslado, ficavam ENFEZADOS, cheios de fezes, pois os baldes transbordavam – haja estômago...
 
GOOGLE IMAGENS
Outro dia, resolvi fazer um programa diferenciado com a família. Sugeri que fôssemos à praça (E os senhores sabem que não temos muitas opções. A Belle Époque foi injusta com os capanemenses). Escolhemos a “Praça dos Lions”. Nosso intuito era ter um momento de lazer, diversão, nada mais... As crianças, animadas, levaram os patinetes e os patins. Resultado: voltamos para casa, literalmente, ENFEZADOS... A praça estava totalmente ornada com FEZES de cachorro, dava para carregar em baldes. Não preciso narrar o que aconteceu no decorrer da brincadeira, nem descrever o estado dos brinquedos e dos usuários. O momento de relax (Com o perdão da palavra) terminou em... MERDA!!!! (No sentido que preferirem).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

“FACES DA ALEGRIA”: 19º FESTIVAL DE DANÇA ACADEMIA "CHIARA RÊGO"


No senso comum, a ALEGRIA é sempre um momento de explosão, exteriorização desse sentimento... Se pensarmos numa representação pictórica para esse evento, sem dúvida, construiremos de imediato uma escala policromática. Nesse âmbito ser ALEGRE é ser multicolor. De fato, o que fica negritado nesta concepção é apenas uma das “FACES DA ALEGRIA”. Aquela que ofusca as outras FACES dessa moeda... Se ao invés meditássemos: O que nos dá o parâmetro, a medida, da ALEGRIA? Que especificidades são necessárias para ser ALEGRE? As que são deixadas de lado não seriam o termômetro que nos daria a noção deste sentimento?... Estamos diante do mesmo jogo das dicotomias: luz e escuridão, som e silêncio e tantas outras que algumas culturas tentam ejetar das nossas mentes... Afinal, quase tudo na vida é assim: um grande paradoxo... Ninguém é verdadeiramente ALEGRE se ainda não sentiu “na pele” o que é tristeza...


ENCANTO

Essa foi uma das preocupações da bailarina e coreografa Chiara Rêgo ao transpor para o palco as variadas “FACES DA ALEGRIA” – XIX Festival de Dança desta escola que continua a fazer história no nosso município; realizado no auditório do colégio São Pio X no dia 18 de dezembro de 2011. Para comemorar um ano de grandes realizações, conquistas e premiações no universo da dança, a Academia “chiara Rêgo” realizou, mais uma vez, um belo espetáculo. Aproximadamente duas horas e meia de muita dança, luz e cores. Vinte e duas coreografias executadas por mais de cem bailarinos(as) (este ano a escola “Dance & Cia” de castanhal fez uma participação especial). Isso tudo, numa ousada e desafiadora tradução de um dos sentimentos mais cobiçados na contemporaneidade. E como declara a idealizadora da montagem “FACES DA ALEGRIA”, no poema que abriu o espetáculo: “Alegria é profundeza de espírito, é paz, emoção”.

CUMPLICIDADE
 Além do renome no cenário da dança, dos louros obtidos em mais de vinte anos de trabalho e dezenove de festival, a alegria maior da Academia “Chiara Rêgo” é de ter formado, durante todos esses anos, um público fiel e apreciador da arte da dança... A professora Chiara ao agradecer a todos que realizam o Festival menciona: os pais, mães, responsáveis, bailarinos e bailarinas que deram vida às coreografias, patrocinadores e todos que apoiam o evento... Enfim, abre espaço e faz um agradecimento especial ao público: “Afinal eles são importantes mantenedores deste trabalho no nosso município”, declara com ALEGRIA.

JESUS ALEGRIA DOS HOMENS

EXTASIAR

CONQUISTA

CONQUISTA

ECLIPSE

NOVO ESTILO

DANÇA DO VENTRE

FORÇA DO HIP-HOP

domingo, 8 de janeiro de 2012

“PODEM SOLTAR FOGUETES”: A FESTA DA CONTRACULTURA...

GOOGLE IMAGENS

Nesta última quarta-feira, fui surpreendido, pela manhã, com barulhos de foguetes, que irrompiam o silêncio da Alameda Mário kauate, Alameda dos opostos, onde moro... Os estouros vinham dos arredores; algum lugar próximo, pela intensidade do som. No fundo ouvia-se, também, uma voz, bastante tímida, que pelo ritmo, narrava uma lista. Sem saber o motivo da comemoração, fiz algumas deduções. A primeira que me veio à cabeça: "Estão fazendo algum protesto na Av. Barão de Capanema, palco principal da cidade... Algo nada dejavu no nosso 'Mato Azarado'". Como de costume, saí para resolver algumas coisas. Ir à UFPA era um dos itens do itinerário. Ao me aproximar do Campus I da UFPA, a surpresa...

O perímetro em frente ao Campus estava interditado, por uma causa bastante justa. Alunos da histórica Escola Maria Amélia de Vasconcelos reunidos comemoram a aprovação no vestibular da UFPA... E não eram poucos. Uma festa completa, um verdadeiro entrudo: trio elétrico, fogos, ovos, trigo e muita animação. E a todo o momento, mais pessoas agregavam-se à comemoração... Quando participamos ou acompanhamos o árduo processo para entrar numa universidade pública, sabemos o quanto é emocionante e gratificante ser aprovado. Daí sempre é motivo de fazer festa...


GOOGLE IMAGENS

Quem já passou por isso enquanto estudante sabe... A festa dos outros é sempre motivo para rememorarmos a nossa festa, a emoção daquele momento. Contudo diante daquela Festa, além dessas sensações, a minha emoção maior era de vislumbrar a “Festa da Contracultura”... A Festa daqueles que são previamente subjugados a não ter acesso ao nível superior, que carregam consigo um prognóstico histórico de que são atrasados nos estudos e tampouco conseguirão concorrer à uma vaga (tão importante e vital), pois são abortados pelo discurso da “elite intelectual”... Minha adesão maior à essa festa era por esse motivo. Comemorei a reação à essa cultura...

Trabalhei um curto período na escola público, em cinco municípios do nordeste paraense, dentre eles o “Mato Azarado”, e não conseguia entender a falta de perspectiva dos alunos do Ensino Médio, quanto ao ingresso num curso de nível superior. Pra eles era algo inacessível... Sempre que eu roubava um pouco do tempo das aulas para falar de vida, momento que considero de suma importância, aproveitava e sondava os porquês daquela concepção tão entranhada no discurso deles.

Em uníssono eles diziam: “Nosso estudo é atrasado... O ensino público é atrasado...”. É um discurso histórico e que ejeta qualquer possibilidade de memória de futuro; não só a do vestibular. Ao que eu revidava: “Como atrasado? Vocês não têm professores? Os professores de vocês não têm qualificação de nível superior? O que atesta a incompetência de vocês?”. Nunca aceitei nenhuma justificativa. Meu discurso era/é contra essa cultura. Aproveitei a Festa e joguei ovo e trigo, não nos alunos, mas na cultura da exclusão, do descaso, da indiferença...

 
(Hadson de Sousa)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

FEITO PIPA...

Meninos soltando pipas, 1948 (PORTINARI, Cândido)
Céu de anil, límpido, poucas nuvens ousam despontar e ocultar este tempo de luz intensa que reaviva e dá cores à paisagem, retarda a boca da noite. Cenário perfeito para ela voar soberana ao vento da mais sincera irresponsabilidade..., na mais irracional liberdade. Liberdade de imaginário pueril. É esta sensação inocente que atrai, muito mais que o colorido da pipa em contraste com os nuances de azul da imensidão do infinito. Liberdade nacarada no infinito azul da paisagem furta-cor: a pipa voando no céu... O céu azul como aquilo que nos envolve sem prender, todavia sempre nos faz transcender...


Pipas, 1941  (PORTINARI, Cândido)

Essa louca sensação se desfaz quando deixamos de olhar para o alto e, xinamos nos limites do finito, do aqui embaixo. Percebemos, então, que ela está por um fio. Um fio que o firmamento esconde como esconde o véu formado pelas gotas da chuva de verão, percebido somente a poucos metros do chão. Liberdade por um fio, que de tão indefeso e manipulador precisa ser passado num pó cortante misturado a uma espécie de grude. É o fio com cerol que dilacera e nos ajuda a sentir a sensação de liberdade segura. Pois ela pode ser perturbada, cortada, pela liberdade de outrem.
    
Meninos Soltando pipas, 1947  (PORTINARI, Cândido)
Daí, tornar-se-á liberdade desacorrentada em queda quase livre. Pois, mesmo antes de cair é tão desejada, cobiçada, que às vezes nem chega a cair. Logo, desprendida pode enroscar-se ao fio de outra liberdade, num emaranhado arado ou, pelo contrário, ao cair por terra, deve acorrentar-se às mãos de um novo destino, que forja uma nova sensação inocente ou, livremente, ressuscita àquela vetada pela indefinição de um tempo de arrebol, pela noite que subsume o colorido e a torna, se insistente, cruenta liberdade... impregnada de reveses.


Meninos soltando pipas, 1947  (PORTINARI, Cândido) 
Minha liberdade nunca mais sentiu o prazer de um dia de sol, que faz irromper todas as cores na seda e esconde o fio do existir... Não me permitiu mais olhar para o alto e sentir o infinito que me fazia transcender, flanar, xinar leve nos braços da paz azul... Não tenho mais aquela estrutura leve com pele de seda ao vento. Ela está amarada a um fio inquebrável, mesmo contra a lei que quer torná-la livre liberdade vulnerável. O fio que antes eu descaia sem desprender e sumia na imensidão do meu devaneio de luz, não me permite nenhum voo. Nem ensinar a brincar de liberdade eu sei... Careço do céu de Brodowski, cheio da liberdade dos meninos de Portinari.


(Hadson de Sousa)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CAPANEMA NO PÓDIO DA DANÇA


Nosso “Mato Azarado” está com sorte na dança... No início deste mês de julho, recebemos mais cinco premiações em um grande festival de nível internacional na capital do estado do Ceará, Fortaleza. Desta vez fomos ovacionados em um dos palcos mais importante do Brasil: Teatro José de Alencar. Sob o julgamento criterioso de grandes estrelas da dança, renomadas internacionalmente: Gisela Vaz (Goiás), Mariza Estrella (Rio de Janeiro), Wanderley Lopes (Paraná) e Guivalde Almeida (São Paulo).

A Academia de Dança Chiara Rêgo aumentou a prateleira da estante para ornar com mais cinco troféus: 2º lugar na categoria balé clássico livre infantil (não houve 1º lugar) – coreografia “Baile da Corte”; único grupo classificado em estilo livre infantil – coreografia “Capubalé”; único grupo classificado na categoria jazz juvenil – coreografia “Gangsters”; único grupo classificado na categoria balé clássico livre juvenil – coreografia “Nevasca”; único grupo classificado na categoria dança do ventre (solo adulto) – coreografia “Princesa Isis” (interpretada pela Prof.ª Chiara Rêgo). 

“Fiquei surpresa com os prêmios, pois o FENDAFOR é de um nível de dança muito elevado. Todavia, eles servem de bálsamo para o nosso trabalho, de gratificação aos nossos alunos, pais, mães e todos que nos acompanharam e sempre nos dão muito incentivo e apoio. Em especial para o município de Capanema, sempre muito bem representado pela arte da dança, em todos os festivais que participamos, mesmo sem o incentivo de políticas públicas que se equiparem ao nosso potencial artístico. Fico feliz quando as pessoas nos parabenizam pelo trabalho e perguntam de onde somos. Sinto prazer ao falar da nossa Capanema.”, declara a coreógrafa Chiara Rêgo emocionada com as conquistas da Academia.

Além desses troféus, a professora Chiara recebeu muitas congratulações, pelo trabalho da Academia “Chiara Rêgo”, de um importante nome da dança clássica no mundo, a professora Maria Clara (Belo Horizonte) – Maitre da Royal Academy of Dance no Brasil há 35 anos, jurada em vários concursos internacionais (Havana (Cuba) e Moscou (Rússia)) – e considera muito mais importante que os troféus: “Ser reconhecida e vista por esta gigante da dança, é realmente o melhor prêmio”, confessa.


Bailarina Chiara Rêgo premiada no FENDAFOR, na categoria Dança do Ventre.

Bailarinas da coreografia “Baile da corte”, premiada no FENDAFOR:
Juliana, Lohana, Lanna, Jannyele, Letícia, Fabiane, Lívia e Noélia.


Bailarinas da coreografia “Nevasca”, premiada no FENDAFOR:
Maria Karoline, Mariana Brito, Lanna Zaynara e Tainá Alencar.

Bailarinas e capoeiristas (AISSERIS) da coreografia “Capubalé”, premiada no FENDAFOR:
Willian, Noélia, Lanna, Pétrick, Jannyele, Diogo, Victor, Lohana, Nilton e Luana.

Bailarinas(os) da coreografia “Gangsters ”, premiada no FENDAFOR:
Hadson de Sousa, Maria Karoline, Tainá Alencar, Chiara Rêgo, Lanna Zaynara,
Jannyelle Damasceno, Alan Jhonatan e. Luana Thelly.

domingo, 19 de junho de 2011

ACADEMIA CHIARA RÊGO: NAS TRILHAS DA DANÇA...


Os bailarinos e bailarinas da Academia de Dança “Chiara Rêgo” estão numa rotina intensa de trabalho: suando as malhas... Motivo: de 28 de junho a 03 de julho, Capanema e o estado do Pará serão representados em um grande festival internacional de dança realizado na capital brasileira do forró, Fortaleza. O FENDAFOR XI – Festival Internacional de Dança de Fortaleza e Itinerante do Ceará, objetiva proporcionar oportunidades para o desenvolvimento de novos talentos e a troca de experiência entre grupos, bailarinos e Cias. de Dança de todo Brasil e outros países do mundo. Além de ampliar o calendário cultural do nosso país, colocando o FENDAFOR entre os grandes Festivais Nacionais e Internacionais de Dança do Brasil.


A Academia de Dança “Chiara Rêgo”, selecionada para participar do festival, irá com uma comitiva composta por mais de cinquenta pessoas: bailarinos(as), pais, mães e amantes da dança. Também integrarão o grupo, bailarinos(as) da AISSERIS – Associação de Integração Social Sebastião Ribeiro da Silva, com total apoio da Ir. Edna Lima (Presidente da AISSERIS) e da Ir. Anna D’LLouro (ex-coordenadora das atividades artísticas). A Academia apresentará vinte coreografias (balé clássico, jazz, contemporâneo, dança do ventre, dança de salão e dança de rua) assinadas pela professora Chiara e pelo professor Hadson de Sousa. Os espetáculos serão realizados no histórico “Teatro José de Alencar” e no “Centro Cultural Dragão do Mar”. A professora Chiara, feliz por mais este festival no currículo da Academia, agradece a dedicação dos bailarinos(as) e o apoio incomensurável dos pais, mães; que além de patrocinadores, irão aplaudir nosso trabalho em Fortaleza. “Realmente sou muito grata a Deus e a todos que compõe a nossa Academia...”, diz.

  
O FENDAFOR é uma realização da A.C.C.N. Lima Produções, através do Grupo BCAD. Tem o apoio Institucional do Fórum Estadual de Dança do Ceará e dos Grupos Permanentes de Dança do Ceará – GEPEDANCE, da Comissão de Dança do Ceará e direção e Coordenação Geral da bailarina Janne Ruth. Mais uma vez Capanema será exaltada pela arte da dança, em grande estilo: A Academia de Dança “Chiara Rêgo”. 
(Hadson de Sousa)    

quarta-feira, 8 de junho de 2011

POR UM TEMPO DE LUZ...


Google Imagens
Vou me deixar levar, como nunca dantes, pelos moldes desse gênero que aprisiona a minha vontade de representar e a reduz à simplicidade; às vezes ao mero acaso. Aos fatos mais insignificantes do cotidiano, talvez. Cotidiano!!!!! Palavrinha que causa repulsa em alguns e vontade de viver noutros. E é justamente quando o cotidiano é surpreendido pelo novo, que será engolido logo depois por ele, que irrompe esta vontade... Vontade de...
Então, para iniciar um bate-papo, vou começar por algo visível, exterior, bem cotidiano. Não pelo afã de tornar visível o que não era invisível. Mas para trazer a luz o que, por anos, esteve à sombra e foi negado pelo descaso e desinteresse próprios da politicagem...
Outro dia passeando à noite com minha família pela histórica Avenida Barão de Capanema, algo iluminado atraiu nossa atenção. De fato, foi a luz que fez com que nossos olhos fixassem aquela paisagem, antes ignorada. Apesar de ter mais de uma década entre nós estava totalmente abandonada pelo descaso social. Não deu para conter os comentários. Sabem quando uma criança vislumbra algo que não é novo, mas está de cara nova? Então, espantados, não apenas com a luz, em coro dissemos: OOOOHHHH!!!! Soou aproximado ao Aleluia de Handel... Eu particularmente estava diante do inacreditável, da concretização de um sonho engasgado de muitos capanemenses. Não acreditava que no meio deste Mato Azarado irromperia um dia o Campus da Universidade Federal do Pará.  

Google Imagens
Minha memória descrente acionou vários recortes abandonados... Foi impossível não lembrar os anos de escuridão que vivi no antigo (e posso usar este termo com convicção e alegria agora) Núcleo da UFPA/Capanema. Quando fui aprovado no curso de Letras (Noturno) ficava imaginando, como seria passar quatro anos num ambiente inóspito, hostil, mítico, totalmente descontextualizado de um universo acadêmico; que surge com as ideias do pensamento racional.
A turma de Letras-2006 teve de transformar o famigerado Núcleo (hoje o iluminado Campus) num universo acadêmico. Um espaço, totalmente, anti-universitário, numa universidade. No universo das letras. Fizemos daquela sala hostil, um espaço dialético e dialógico: Um lugar de produção de conhecimento; e não nos comportamos como meros expectadores. Fomos atores do espetáculo de nossa formação acadêmica. Ressuscitamos a Arcádia grega onde os deuses reuniam-se para produzir conhecimentos; ressignificamos, ou reafirmamos o rótulo de academia. Pena que estas transformações não se estenderam ao espaço físico: nossa voz clamava num deserto de recursos básicos, como uma lâmpada para iluminar a sala de aula.
O que os professores, advindos de outros campi da UFPA, nos diziam em uníssono e, alguns colegas desconfiavam, constatamos, hoje, que era verdadeiro. Não fomos graduandos passivos... Não saímos ilesos da academia, embora lesados... Com palavras aspeadas reitero: “Vocês são uma tribo, não de um chefe, mas de vários caciques...” (declarou, emocionado, o professor Francisco Pereira do campus de Bragança). É, dedicamo-nos muito... Não fazíamos o que nos delegavam, não nos conformávamos com a caótica situação do antigo núcleo. Com a irracionalidade tornada política, antidesenvolvimentista. Transcendemos esse determinismo político atroz; pagamos, algumas vezes, um preço alto por isso... Quase éramos exilados para o campus de Bragança.
Assim, apesar das reivindicações, protestos e manifestações, carecíamos, sobretudo, de um ILUMINISMO (longe de mim, querer esvaziar este signo petrificado na história ou atribuir sentidos outros)... Necessitávamos de uma revolução neste âmbito. Sair do caos da falta de expressão e visibilidade. Quando eu comentava com alguém que estava cursando Letras na UFPA/Capanema, as pessoas, espantadas, diziam que não sabiam da existência desta instituição no nosso município. Quando eu dizia que funcionava num prédio na Av. Barão de Capanema, aguçava ainda mais a curiosidade, pois eram inevitáveis descrições do tipo: “lá naquele prédio abandonado, cheio de mato...”. Na época da eleição para reitor decidimos, esperançosos, apoiar o Professor Carlos Maneschy, sob a condição de que ele voltaria o olhar para a UFPA/Capanema.     

Hoje, pelas mãos do professor Álvaro Lobo, Capanema está sendo reembolsada de um sonho roubado... Sonho de muitos jovens que tiveram que sair daqui para estudar e, de tantos outros, que por serem de famílias com situação financeira módica, abortaram o sonho por falta de oportunidade. O revés da história ofusca-se com a luminosidade de um presente concreto que quer subsumir este pretérito injusto. Pois o novo momento desta instituição em Capanema não comporta essa faceta da temporalidade. Entretanto torna visível um desejo estancado, sem satisfação, que jazia na memória de muitos e, agora ressuscita, apesar do breve tempo e dos parcos investimentos, por parte da atual gestão municipal, cheio de “memória de futuro”.
(Hadson de Sousa)